sábado, 9 de janeiro de 2010

Melhor livro do ano

O melhor livro do ano (de acordo com crítico subornado pelo autor



Olá.

Escrevi meu segundo livro de poemas e, após registrá-lo na Biblioteca Nacional, resolvi publicá-lo na internet.

Dessa forma, o custo foi reduzido praticamente a zero e o livro pode ser lido gratuitamente neste blog.


Não esqueça de deixar sua crítica/comentário após a leitura.

Para ler o livro, clique aqui: O melhor livro do ano (de acordo com crítico subornado pelo autor).

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rodpolicarpo@gmail.com

Fim 2




Quando fechou o livro, não sabia onde estava.












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Fim 1















Para as frases deformadas que criei:

Não sou um gramático
Sou o obstetra que dá vida às palavras
Procurem um cirurgião-plástico!


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Bônus 2




Dessa forma, sempre que for necessário prestar 1 minuto de silêncio, por qualquer motivo, basta colocar o cd e ouvir o mais profundo silêncio já gravado na história da humanidade, com a duração apropriada e exata para cada situação.

São as seguintes as faixas de 1 minuto de silêncio:

em eventos esportivos..............................1:00

em atos fúnebres....................................1:00

em congressos de ejaculação precoce.............0:03

em reuniões meio satânicas........................3:33

no Congresso Nacional...............................2:11



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Bônus


BÔNUS: CD 1 MINUTO DE SILÊNCIO



Foi tentando compensar, de alguma forma, todo o tempo perdido pelos leitores nas páginas antecedentes, que eu resolvi colocar algo de útil neste livro, diminuindo, assim, um pouco de meu remorso por ludibriar os infelizes possuintes desta desgraçada obra.

Observando partidas de futebol, tenho notado que, quando há 1 minuto de silêncio antes dos jogos começarem, nunca tem exatos 60 segundos.

Pensando em resolver, definitivamente, esse problema, resolvi dar de presente, em alguns exemplares desta edição, o cd “1 minuto de silêncio”.



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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O silêncio


O silêncio



O silêncio é a palavra guardada
Não é ausência ou vazio
É o tudo vestido de nada
É o inverno à espera do frio

O silêncio...


Shhhhhh!




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A vidente7




Após pronunciar suas últimas palavras, o assaltante teve um novo ataque cardíaco fulminante, morrendo, dessa vez definitivamente, na casa da vidente.

A vidente aproximou-se do assaltante, pegando o dinheiro que estava no seu bolso.



- Então você achou mesmo que eu não tinha previsto que isso seria um assalto e que você morreria aqui dentro deixando todo esse dinheiro pra mim? Hahaha. Idiota. Você foi meu cliente. O melhor deles.

E a vidente foi para o seu quarto, contando o dinheiro fruto dos roubos anteriores de nosso azarado assaltante.




FIM




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A vidente6




- Mas que merda foi essa? Nunca vi uma personagem ser interrompida no meio de sua ação para uma pausa para propaganda! Que porcaria de escritor é você?

- Olha o respeito. Eu que lhe criei e faço o que eu quiser e quando quiser.

- Mas era só o que faltava. Só porque você me criou acha que eu tenho de abaixar minha cabeça e seguir todas suas ordens ridículas?

- Olha que se você não calar essa sua boca eu dou um jeito de você sumir dessa história.

- Hahaha. Me tira daqui então. Quero ver.

Foi nesse exato momento que o assaltante teve um ataque cardíaco, morrendo na casa da vidente.

- Não morri não. Estou bem vivo aqui.



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A vidente5




Esclarecimentos:


Desculpem-me obstinados leitores que chagaram tão longe neste livro.

A propaganda anterior foi exigência do patrocinador desta obra.






Mas voltemos agora ao nosso assaltante que, impacientemente, aguarda o término dessa pausa comercial para voltar à ação.




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A vidente4




(pausa para propaganda)


Receita de massa falida.

Ingredientes:

• água
• massa

Modo de preparo:

Toque tudo numa panela, esquente por 10 minutos.
Sirva-se.


Dica: A massa fica completamente sem gosto, mas, uma dica muito importante, é imaginar que está uma delícia. Geralmente, não funciona, mas a fome acaba apertando e você termina comendo tudo na marra.



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A vidente3




- A melhor. Sou a única verdadeira.

- E a senhora consegue ver bem o futuro.

- Tão bem como estou vendo o senhor agora.
Disse Ana, limpando os óculos.

- Pois o negócio é o seguinte. Isso aqui é um assalto. - Disse o homem, tirando o revólver da cintura. - Se a senhora é tão boa assim, por que não previu que eu iria assaltá-la antes de abrir a porta? Haha. Patética. É a quinta vidente que eu assalto hoje. E a senhora achando que eu era mais um cliente trouxa que deixaria meu dinheiro aqui.

Hahaha. Está prevendo agora que eu levarei tudo que você tem? Eu não sou seu cliente. Bom, talvez seja. Mas o pior deles! Hahaha.



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A vidente2




O recém-chegado cliente era um homem de trinta e poucos anos de idade, barba por fazer e parecia um pouco nervoso.

- Sente-se nessa cadeira enquanto eu preparo tudo.

Ana começou, então, o ritual que precedia suas sessões premonitórias.

O cerimonial consistia em acender algumas velas, fechar os olhos e pronunciar algumas palavras em uma língua desconhecida. Ana fez tudo isso um pouco atrapalhada, já que fazia umas cinco semanas que não aparecia um único cliente em sua casa.

Após pronunciar a última palavra, Ana sentou-se em uma cadeira de frente para o homem.

- Então o senhor está precisando de minha ajuda.

- A senhora não imagina como. Ouvi falar que é uma das melhores videntes da cidade.



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A vidente


A vidente



A chuva caia forte. Era sexta-feira, final de tarde.

- Outra semana sem um único cliente. Pensava consigo Ana, prevendo as dificuldades que teria para pagar as contas vincendas.

Ana era uma conhecida vidente da cidade. Há décadas, aconselhava pessoas sobre as melhores decisões a serem tomadas de acordo com o que ela via do futuro. Nas últimas semanas, porém, a escassez de clientes preocupava-a muito.

Procurava alternativas, quando o som da campainha interrompeu seus pensamentos.

Pressentindo a solução de seus problemas do outro lado da porta, Ana correu para abri-la, fazendo sua cara mais simpática.

- Boa tarde, senhor. Vejo que você está precisando de uma ajudinha. Entre, por favor.



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Poesia: alimento d’alma


Poesia: alimento d’alma



Palavra pão não satisfaz a fome
E os versos brancos não têm cor de luto
A rima rica sonega tributo
Enquanto o pobre lentamente some

Palavra água não sacia a sede
Há versos livres que o papel liberta
A poesia é uma janela aberta
Enquanto o pobre não tem nem parede

Alguém lá fora está sem esperança
Ao mesmo tempo em que tu lês com calma
Julgando a métrica do menestrel

Somente afirma sem desconfiança:
A poesia é o alimento d’alma
Quem nunca teve de comer papel



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Solneto: ai cai, minha Lua


Solneto: ai cai, minha Lua



Eu não queria anoitecer segunda-feira
De tudo eu fiz para escapar da escuridão
Não tive medo de ser preso na fronteira
Entre a loucura e o que restava de razão

Sem sucesso esperei tua chegada
Que do céu deveria cair
E com a fé já bastante abalada
Não achava a razão de existir

Eu sabia lá no fundo
Que voltando pro meu mundo
Acharia teu descaso

Ecos de silêncio
Sol derretido de outono
Ocaso de um caso



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Pantum #0


Pantum #0



O vão do vazio jogado no nada
Nadando ao redor de outros enterros
Em vão os vazios retornam à largada
E vão repetindo todos os erros

Nadando ao redor de outros enterros
De volta ao começo encontram um lugar
E vão repetindo todos os erros
Sem perceberem que devem acabar

De volta ao começo encontram um lugar
Vão se arrastando sem sentido algum
Sem perceberem que devem acabar
Como se fosse bastante comum

Vão se arrastando sem sentido algum
Sentindo o acabar da nova alvorada
Como se fosse bastante comum
O vão do vazio jogado no nada



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Sol da meia-noite


Sol da meia-noite



Se pulcro o dia
A noite fenece



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Para lendas


Para lendas



Dá vida à ávida dúvida
Viúva ave úvida
Duvida da vida devida
Divide a dádiva e revida



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Biografia do Sr. Sem nome


Biografia do Sr. Sem nome



Quase nove meses
Sob a Lua de verão
Nasce uma esperança

Trinta e cinco graus
Sem dinheiro pra comida
Esmola a criança

Com filhos famintos
É pai a cria de outrora
Triste céu gelado

Um tiro no escuro
Choram as nuvens de inverno
E está acabado

E morre a esperança
Sombra do ipê no epitáfio
Anônimo-pai

Dezessete sílabas
Uma noite de verão
E nasce um haicai



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Haicai, quase-haicai & eggnog4




Frio da manhã branca
Congelados no momento
Pássaros imóveis



Manhã de neblina
Aeroporto fechado
Pousa um passarinho



De flores na mala
Se despede a natureza
Três meses de férias



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Haicai, quase-haicai & eggnog3




Chuva fria e forte
Destrói o espelho do lago
Sete anos de azar


Canto da floresta
Pra acordar o sol gelado
Canta um sabiá


Apenas três versos
A vastidão do infinito
Na ponta do lápis


Rua fria e cinza
A quaresmeira pintada
Paleta sem tinta


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Haicai, quase-haicai & eggnog2




frio dia chuvoso
o outono chora também
a morte sem flor


Vialcoólica-Láctea
Sete estrelas embriagadas
Caindo do céu


Chuva e noite quente
Raios, trovões e mosquitos
Que merda de dia!


Ecoa a cantiga
Descansa o sol sem tardança
Trabalha a formiga



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Haicai, quase-haicai & eggnog


Haicai, quase-haicai & eggnog



Topo da montanha
O verão é menos quente
mais próximo ao sol




Morte lenta morte
pra voltar na primavera
Tem de ir no outono


fria noite escura
Acendem luzes no céu
A Lua esbraveja



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Título escrito com letras brancas #2




Linda e fria noite
Pra não despertar o sol
Estrela não cai



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Se não digo que te amo


Se não digo que te amo



Se não digo que te amo
Não é porque não quero
Se fico em silêncio
Não é que tenha te olvidado

Mas é duro este ofício
De amar-te como um vício
E não ser, em troca, amado

Que difícil é este jogo
Que me tira todo o ar
É como eu fosse fogo
E não pudesse mais queimar

Queria dizer-te tudo
Queria dizer-te mais...

Mas tenho medo
E me calo

É o silêncio que tu ouves agora
Ele está aqui
Abafando minhas palavras

Mas, à noite
Quando estiveres mergulhada no silêncio
Quase dormindo
Poderás me ouvir gritar baixinho:
Eu te amo



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Título escrito com letras brancas #1




A noite chega
Calada
E como quem não quer nada
Faz de mim a sua dor
E mesmo contra a vontade
Instala em meu peito a saudade
Então só penso em meu amor

E como penso
Ah, se ao menos ela soubesse
Que nesse instante
Enquanto dorme
Eu sou todo dela
Todo dela

A noite arrasta-se
E me corrói
Vou definhando
Inhando
E ando
De um lado ao outro
Sem saber o que fazer

Tudo em mim é ela
O tempo, então, congela
E não há nada que me faça lhe esquecer



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Adversidade


Adversidade



Por que a diversidade gera adversidade?




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Loucura


Loucura



A loucura é a razão com asas



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Máquina do tempo2




Obs.1: Não lê o poema anterior. Ele é completamente idiota e tu só perderás teu tempo. E tu não recuperarás o tempo perdido, pois não é possível voltar no tempo.

Obs.2: Não lê a Obs.1. Ela é completamente inútil, pois, se tu és uma pessoa normal, deves ter lido tudo na ordem, ou seja, tu leste o poema antes de ter lido a Obs1.

Obs.3: Do mesmo modo que a Obs.1, a Obs.2 é totalmente desprezível, pelos mesmos motivos apontados na Obs.2. Para que estas observações fossem úteis, elas deveriam ter sido escritas antes do poema. Portanto, esta Obs.3, por também não ter sido escrita antes do poema, é desnecessária.

Obs.4: Para que nunca mais corras o risco de perder teu tempo lendo tantas besteiras, arranca esta página do livro.



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Máquina do Tempo


Máquina do Tempo



Se pudesse voltar no tempo
Faria tudo de novo
Porém, de um modo diferente

Viveria as mesmas experiências
Contudo, mais intensamente

Se pudesse voltar no tempo
Talvez não voltasse

E se desse algum problema
E perdido, no tempo, eu ficasse?

Se pudesse voltar no tempo
Não escreveria este poema
Pois, além de não dizer nada útil
Voltar no tempo é impossível



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Primeiros


Primeiros



Devorado pelo esquecimento
O tempo cobra seu tributo
Os primeiros duram para sempre
Os segundos, menos de um minuto



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Se quer


Se quer



Se quer de volta o que vivemos
Se quer de volta os beijos meus
Como pôde ter partido sem
Sequer ter dito adeus?


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Faltam cores em minha paleta


Faltam cores em minha paleta




O ciano nos separa
Amarela já não posso


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Tudo se recobra


Tudo se recobra



Dizia Lavoisier
Meu concunhado
Que a natureza nada queria
Mas ele estava enganado

Tsunamis e tempestades
Punição sentenciada
A natureza agora cobra
Pela pureza violada


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Dez matamentos


Dez matamentos



No meio do caminho tinha uma floresta
Tinha uma floresta no meio do caminho

O que fizeram com ela?


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Pás no futebol


Pás no futebol



O Brasil é o país do futebol
Ronaldinho Gaúcho, Garrincha e Pelé
Quantos gênios, quantos gritos de olé
Todos os dribles, da pedalada ao lençol

Mas com a violência crescente
Que vemos nas torcidas
E para enterrar dignamente
Todos que perdem suas vidas

É que pedimos:
Mais pás no futebol


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Sobre a censura


Sobre a censura







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Brasis


Brasis



Sou do Brasil de Glauber, gênio incompreendido
Sou do Brasil de Mário Quintana e Tom Zé
Sou do Brasil de um povo que chora com fé
Sou do Brasil que espera não ser esquecido

Sou do Brasil da Amazônia: da fauna e flora
Sou do Brasil do índio: tupi, guarani
Sou do Brasil que vai do Oiapoque ao Chuí
Sou do Brasil que faz, não espera ou demora

Sou do Brasil da ditadura militar
Soldo utilizado pra banir com censura
Soldo utilizado pra mentir e matar

Sou do Brasil que me trata como idiota
Sou do Brasil da corrupção, da usura
Não sei se sou ufanista ou despatriota



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10/04/19___


10/04/19___

Encontrei uma velha carta abandonada
Falava de promessas e futuros sonhos
Esperava a fortuna e sucesso tardonhos
Expulsava pra sempre a confiança abalada

Reproduzia em seu papel amarelado
Quão admirável seria a nova vida
Reivindicava por toda a infância perdida
Pelo divertimento até então postergado

Novas atitudes seriam necessárias
O dia a dia das tristezas tão constantes
Trocado por situações menos ordinárias...

...Exceção às rugas que ornamentam minha face
E dos cabelos embrancados abundantes
Décadas passaram sem que nada mudasse



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Metamorfose


Metamorfose

Metamorfoseando-me
Adaptando-me ao tempo bravio
Quando a vida está seca
Eu rio








(errata)




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Relatividade


Relatividade

Segundos de um minuto
Engatinhavam em minha infância
Segundos diminutos
O tempo escapa em abundância














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Notícias da voz do Brasil











Notícias da Voz do Brasil


Na Suécia, a expectativa de vida
É de oitenta anos
Em Botswana, trinta e cinco

A Bolívia é rica em gás natural
A Argélia, em ferro e zinco

Nos países pobres
As mães são crianças
Nos ricos, senhoras

Na Finlândia, um político
Leva quinze anos para ficar corrupto


Em Brasília, dezenove horas.



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Autopsicofagia


Autopsicofagia

O poeta é um devedor
Deve tanto que não pode
Compensar ao editor
A reimpressão de uma ode

Deve ser constrangedor
Ver um filho famulento
E poder-lhe, então, propor
Só um verso como alento

Pra saciar a própria fome
O poeta, então, com calma
Abdica de seu nome
E consome, assim, sua alma


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Por que ser poeta4




Terminada a última etapa
Obteremos nosso poema
Porém, em cada processo algo escapa
E é pertinente o dilema:


Se o poema é uma versão piorada
De tudo o que há no mundo real
Por que preferimos a forma poetizada
Ao verdadeiro deleite vital?








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por que ser poeta3




Formada, assim, a ideia
Temos a matéria-prima
E, com ritmopéia
Procuramos, então, a rima

Passamos para o terceiro estágio
Transformar ideias, novamente, em algo palpável
Há que se cuidar com o plágio
Fazer o que já existe é deveras condenável

As ideias, como um vômito
Vão da cabeça para o pergaminho
Processo indômito
Muito se perde no caminho

Assim, como em todo processo
Sempre há perdição
E por mais que tenhamos sucesso
É sempre melhor a imaginação


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Por que ser poeta2




Terminada a primeira fase
De absorver tudo o que vivemos
É que temos uma base
Para aquilo que escreveremos

Começa, assim, a etapa seguinte
Quando as experiências são processadas
Por nossa mente possuinte
De todas as coisas vivenciadas

As ideias surgem após
Experiências roubadas de fora
Transformadas dentro de nós
Mudarem a forma de outrora

Tudo o que captamos do mundo
Viram, então, fantasia
É do exterior que o sentimento é oriundo
É assim que a criatividade inicia


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Por que ser poeta


Por que ser poeta?

Várias etapas são necessárias
Para se fazer um poema
Enfrentar as vicissitudes diárias
É o primeiro problema

Tudo começa no mundo exterior
É preciso experiência de vida
Pois é vivenciando a dor
Que a personalidade vai sendo adquirida

Tudo o que vivemos, a cada momento
Vai sendo interiorizado
É aí que um sentimento
Começa a ser formado

A cada nova experiência
Aprendemos algo diferente
É só com a vivência
Que mudamos nossa mente


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Não tem titulo


Não tem título

Leva contigo meu último riso
Sem tua boca não posso sorrir
Leva pra sempre meu pleno juízo
Leva-me inteiro se fores partir

Leva meus olhos que já não te vêem
Leva estas mãos que não podem tocar
Leva este peito contigo também
Pois sem teu fogo extermina-se o ar

Não deixa nada que lembre-me aqui
Leva-me todo ao partires contigo
Que não me serve meu corpo sem ti

Leva-me agora, pois sou todo teu
Pra mim não quero este eterno castigo
Lembrar que um dia teu corpo foi meu


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Dilema


Dilema

Decanto enquanto canto
Em todo canto teu encanto
E se espanto causa o manto santo
Que te cobre tanto
É sem constrangimento que vejo o vento
Desnudar-te por um momento

...

Minto, pois já não sinto
Aquele instinto tão faminto
A desbravar teu labirinto

Sentimento indistinto

Desaponto
De pronto vejo-me tonto
Neste interno confronto:

Fico adjunto ao teu corpo consunto
Ou abandono-te, defunto?


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prefacio10


PREFÁCIO

Sim.

Tudo não passou de um embuste.

Acho que consegui ludibriar-me e, finalmente, conseguirei publicar meu livro com prefácio.

Eu tentei enganar-me, mas acabei enganando-me.

Espero que vocês, ledos ledores, tenham entendido minha intenção e prosseguido até aqui.

Seria uma idiotice tremenda de minha parte continuar escrevendo se ninguém fosse ler.

Sim...uma grande idiotice.


Boa leitura.


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prefacio9




















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capa




O MELHOR LIVRO DO ANO


(De acordo com crítico subornado pelo autor)




Bônus: CD 1 minuto de silêncio


Rodrigo Policarpo



próxima página

prefacio8


PREFÁCIO

Foi um grande esforço conseguir escrever uma mensagem tão bem codificada que ninguém pudesse entendê-la. Mas acho que acabei exagerando um pouco, tanto que, ao final da mensagem, nem eu mais sei o que ela significa.

Isso é, realmente, uma pena, pois torna todo o prefácio imprestável.

Mas não se preocupem que desenvolverei um novo código criptográfico assim que conseguir descansar meu cérebro e lembrar meu nome.

Sem mais para o momento

Assinado


Não lembro



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prefacio7


PREFÁCIO

Finalmente, chego ao final de meu magnífico prefácio. Após todas minhas pesquisas, resolvi inovar e criar um texto totalmente cifrado. Este texto de beleza ímpar foi criado com muito esforço e horas de trabalho ininterrupto, para que pudesse chegar nesta perfeição que lhes trago abaixo:



27PE81OT08AN90AEBCEO6K9R280DS2E4KS
S1A0C0O1N1E111R0R8A2E0B0KE8ERC01011
OBP0QFSDB5TFV8UFNQP9EFDJGSBOEP608
OBP2IB0OBEB0EF9JNQPSUBOUF6BRVJ9009
27PE81OT08AN90AEBCEO6K9R280DS2E4KS
S1A0C0O1N1E111R0R8A2E0B0KE8ERC01011



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prefacio6


PREFÁCIO

Faz duas semanas que tive a infeliz ideia de concordar em escrever este prefácio. Tenho quase certeza de ter sido enganado. Como pude acreditar em minhas próprias mentiras? Mas isso não ficará assim. Vou fingir que não descobri minha tramoia, escreverei um prefácio ininteligível, que acabará me desanimando em prosseguir com a publicação desta obra, roubarei minhas ideias e publicarei tudo como se fosse minha criação.

Não me resta outra alternativa. Fingirei que acredito na desculpa de que não confio em minhas próprias promessas, deixando com que eu acabe de escrever o prefácio, por mais hediondo que possa ser o resultado final, me apropriando, assim, do preâmbulo e publicando tudo em meu nome.


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prefacio5


PREFÁCIO

O desenvolvimento de meu excepcional trabalho na realização deste prefácio corria com naturalidade, mas comecei a desconfiar que eu não me pagaria. Eu estava tendo atitudes suspeitas nos últimos dias. Demonstrava muito nervosismo e, embora tentasse enganar-me, não estava acreditando muito naquela história de pagamento na entrega do trabalho. Decidi mudar algumas coisas.

Minhas recentes atitudes não vinham me agradando. Apesar da vultosa quantia que eu ofereci-me, e de não haver motivo algum para que eu duvidasse de meu próprio compromisso, passei a notar que talvez eu não tivesse capacidade em escrever uma introdução. Parecia que eu usava como desculpa não acreditar em minhas promessas, para tentar ocultar minha total incapacidade em prosseguir com o trabalho. Decidi mudar minha estratégia.


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prefacio4


PREFÁCIO

Ofereci-me, numa fria tarde, uma quantia irrecusável. Não tinha e sabia que não teria como obter, no prazo estipulado, a pequena fortuna que tinha ofertado a mim mesmo. Minha ideia era ir ludibriando-me, prometendo pagar-me assim que o prefácio estivesse concluído. Então, após recebê-lo, me apropriaria da ideia sem pagar um único centavo. Não conhecia, na história da humanidade, um caso de alguém que houvera sido condenado por plagiar suas próprias ideias. Foi nesse hiato jurisprudencial, que arquitetei todo meu plano.



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prefacio3


PREFÁCIO

Para poder escrever uma boa introdução, fiz diversas pesquisas. Não consegui encontrar, contudo, a etimologia da palavra prefácio. Pus-me, então, a imaginar. A primeira ideia que veio a minha cabeça, pareceu-me ter bastante lógica. Só podia ter origem na corruptela idiomática, derivada do grego medieval, “pré-facil”. Tal pensamento estaria se referindo a falsa ideia de que um prefácio parece ser muito fácil antes de se escrever, daí “pré-fácil”, mas, à medida em que se escreve, torna-se cada vez mais difícil. Porém, tal teoria logo foi rechaçada ao perceber que não há dificuldade alguma em se escrever um prefácio, fato que pode ser constatado pelo magistral trabalho que estou realizando neste preâmbulo, com a maior facilidade, apesar de este ser o primeiro que escrevo.



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prefacio2


PREFÁCIO

Quando escrevo estas linhas, faltam exatos 2 meses e 7 dias para a Lua estar posicionada no eixo transversal do corredor paralelo de Júpiter. É do conhecimento de todos a importância desses 2 meses e 7 dias na cultura lopariana, pois, segundo eles, é exatamente nesse período anterior ao nascimento de uma pessoa que é desenvolvida a área do cérebro responsável por criar datas idiotas e que não existem, como essa que eu acabei de inventar.

Obviamente, eu sabia dos riscos de estar oferecendo tal tarefa a uma pessoa que, desde sua intoxicação etílica, vinha sofrendo de graves problemas mentais.



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prefacio1


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PREFÁCIO


Sinto-me extremamente honrado de ter recebido o convite para escrever a introdução de meu próprio livro.

É sempre muito difícil encontrar alguém capaz de escrever um bom preâmbulo.

O dia estava frio em Lopar quando fui convidado para escrever meu prefácio. A princípio, não sabia se aceitaria tamanho encargo. A promessa de generoso pagamento, porém, fez com que eu mudasse de ideia.

Há meses, vinha procurando alguém que pudesse escrevê-lo, mas, como ninguém acreditava em minhas, já famosas, falsas promessas de polpudo pagamento, decidi que seria mais fácil tentar enganar-me.


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indice2


ÍNDICE (CONTINUAÇÃO)



Máquina do tempo
Loucura
Adversidade
Título escrito com letras brancas #1
Se não digo que te amo
Título escrito com letras brancas #2
Haicai, quase-haicai & eggnog
Biografia do Sr Sem Nome
Para lendas
Sol da meia-noite
Pantum #0
Solneto: ai cai, minha Lua
Poesia: alimento d´alma
A vidente (conto)
O silêncio
Bônus: CD 1 minuto de silêncio


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indice1

ÍNDICE

IGPM 0,05%
Prefácio
Dilema
Não tem título
Por que ser poeta?
Autopsicofagia
Notícias da voz do Brasil
Relatividade
Metamorfose
10/04/19__
Brasis
Sobre a censura
Pás no futebol
Dez matamentos
Tudo se recobra
Faltam cores em minha paleta
Se quer
Primeiros


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